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Dica para fazer uma boa redação dissertativa no vestibular

Neste artigo você vai aprender a fazer uma redação bem escrita e modelo para vestibular ou mesmo o Enem. Isso é bastante importante para quem deseja melhorar a escrita e não sabe qual caminho seguir. Já mostrei várias vezes os meus projetos aqui no site e dei dicas preciosas de como fazer um bom texto dissertativo aqui no site. Veja mais este modelo e leia os comentários abaixo.

Exemplo de redação

O que seríamos hoje?

Percebemos no mundo atual três correntes, ideias sobre a concepção do tempo. A esperançosa visão romântica, otimista, do futuro, "deixe-o vir". Uma visão mais revoltosa, valorizando o modelo greco-romano, o "carpe diem", aproveite o hoje, o momento, cada dia, no qual o passado não exerce influência. E por último a visão dos historiadores, dos economistas na qual uma análise cuidadosa do passado, pode revelar importantes traços e influenciar o presente, acreditam que fatos passados possibilitam o entendimento do mundo contemporâneo.
São concepções pessoais, uma não exclui a outra e qualquer um tem o direito de acreditar na que julgar mais conveniente. Mas assim como a velha discussão da origem da vida, "Deus ou a teoria do Big Ben", a ciência cada vez mais nos mostra a relação de causa e consequência e evidência com comprovações científicas e históricas, qual a mais provável.
A evolução tecnológica mostra-nos a importância do passado no nosso atual estágio de desenvolvimento, afinal o que seria da tecnologia se no passado não tivéssemos os trabalhos dos grandes inventores e pesquisadores: Ainsten, Newton, Faraday, Michelangelo. Onde estaria hoje a internet se não fosse o velho e bom telefone. Ah, e o capitalismo financeiro, este não existiria se não fosse o capital do mercantilismo e da velha revolução Industrial.
Já nosso passado mostra-nos a origem, a causa de nossas condições de países subdesenvolvidos, através do colonialismo de exploração. Os fatores da grande concentração de renda estão no passado, devido a base agrária nos grandes latifúndios, na monocultura, na oligarquia cafeeiro. Falando nessa época, o trabalho escravo negro é lembrado, trazendo aos dias atuais o forte preconceito contra esta raça.
Agora tomemos como base a atual eleição do nosso presidente Luis Inácio, como teríamos o direito de votar no nosso representante se durante o modo de produção escravista na Grécia, pessoas não tivessem firmado as bases da nossa atual democracia. .
Até para os fatos mais recentes como o de "Lula" há uma causa, para toda causa uma consequência, algo que permitiria que isso ocorrer. Levemos em consideração neste caso também, o estado psicológico e social da população brasileira.
E assim corno bons economistas estudam a profundo as origens e o passado das empresas antes de investirem seus preciosos capitais, devemos observar nossos atos e fatos passados para controlarmos e "descobrirmos" nosso presente e suas prováveis consequências num futuro talvez não muito distante.



Para saber mais sobre como fazer uma boa redação nota 1000 no Enem, clique aqui e veja os caminhos para montar o texto e também todas as informações sobre o Enem.

Análise da redação

BOAS ILUSTRAÇÕES: o autor valeu-se de vários recursos argumentativos para defender uma das concepções do tempo apresentadas na coletânea - a importância do estudo da História. Embora às vezes tenham sido explorados apenas superficialmente ou de modo um pouco confuso, esses recursos fortaleceram o ponto de vista.

• PRIMEIRO PARÁGRAFO: o candidato usou a enumeração para definir e classificaras três concepções de tempo. Demonstrou compreensão do tema ao associar essas visões a conceitos como "romantismo" e "carpe diem".

• SEGUNDO PARÁGRAFO: citou de modo errado a teoria científica sobre a origem do universo: seria "Big Bang", e não "Big Ben".

• TERCEIRO PARÁGRAFO: dá vários exemplos de avanços científicos importantes. É um dos parágrafos mais convincentes do texto.

• QUARTO PARÁGRAFO: elementos de tempo e espaço são utilizados acertadamente no texto.
• QUINTO PARÁGRAFO: recorre ao tempo e espaço (a democracia grega) para apresentar outra origem histórica do atual direito ao voto.

• SEXTO PARÁGRAFO: é o parágrafo mais vago. Não explica o que seria o fato "Lula" nem o "estado psicológico" e sua relação com o fato.

• SÉTIMO PARÁGRAFO: recorre a uma última exemplificação para reforçar a ideia de que a observação do passado é importante para a compreensão do presente e a previsão do futuro.

Um bom modelo de proposta para treinar a redação

Você gosta de escrever textos dissertativos? Acha fácil? Eu sempre tive dificuldades para fazer isso, mas isso era antes de aprender a fazer uma redação nota 1000 com o curso Missão Enem. Hoje eu tiro de letra a composição de um texto dissertativo.



APRESENTAÇÃO DA COLETÂNEA

Nos três textos abaixo, manifestam-se diferentes concepções do tempo; o autor de cada um deles expõe uma determinada relação com a passagem do tempo. Leia-os com atenção:

1- Mais do que nunca a história é atualmente revista ou inventada por gente que não deseja o passado real, mas somente um passado que sirva a seus objetivos. (...) Os negócios da humanidade são hoje conduzidos especialmente por tecnocratas, resolvedores de problemas, para quem a história é quase irrelevante; por isso, ela passou a ser mais importante para nosso entendimento do mundo do que anteriormente.

(Eric Hobsbawm, Tempos Interessantes: uma Vida no Século XX)

2- O que existe é o dia a dia. Ninguém vai me dizer que o que aconteceu no passado tem alguma coisa a ver com o presente, muito menos com o futuro. Tudo é hoje, tudo é já. Quem não se liga na velocidade moderna, quem não acompanha as mudanças, as descobertas, as conquistas de cada dia, fica parado no tempo, não entende nada do que está acontecendo. (Herberto Linhares, depoimento)

3-Não se afobe, não,
Que nada é pra já,
O amor não tem pressa,
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário,
Na posta-restante,
Milénios, milénios
No ar...
E quem sabe, então,
O Rio será
Alguma cidade submersa.
Os escafandristas virão
Explorar sua casa,
Seu quarto, suas coisas,
Sua alma, desvãos...
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras,
Fragmentos de cartas, poemas,
Mentiras, retratos,
Vestígios de estranha civilização.
Não se afobe, não,
Que nada é pra já,
Amores serão sempre amáveis.
Futuros amantes quiçá
Se amarão, sem saber,
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você.

(Chico Buarque, Futuros Amantes)

Procure seguir estas instruções:

Redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, na qual você apontará, sucintamente, as diferentes concepções do tempo, presentes nos três textos, e argumentará em favor da concepção do tempo com a qual você mais se identifica.

Principais recursos de argumentação no texto dissertativo

Neste artigo quero mostrar para vocês quais os melhores caminhos, recursos argumentativos para montar um texto nota 1000 no Enem. Vejam abaixo e deixem um comentário sobre quais as técnicas que vocês usam.



CAUSA E CONSEQUÊNCIA

O autor do texto a seguir descreve o que provocou o fato em discussão e seus efeitos.
"A crescente circulação de jogos virtuais unida à larga utilização de imagens virtualizadas na mídia representam formas de manipular toda uma população, ocupando-a com fantasias e alienando-a da realidade. Dessa forma o ser humano é privado de refletir sobre a situação social e política em que vive."

TEMPO E ESPAÇO

Fatos situados em determinada época e lugar podem ilustrar a ideia discutida no texto.
"Nos últimos três anos, os estúdios de cinema voltaram a explorar, com sucesso, a tecnologia 3D. Filmes como A Lenda de Beowulfe Viagem ao Centro da Terra prepararam terreno para o sucesso extraordinário do recém-lançado Avatar, que, em apenas" vinte dias de exibição, se tornou a segunda maior bilheteria da história do cinema. A acolhida à produção de James Cameron tirou de cena as últimas dúvidas quanto ao desejo de um grande número de pessoas de tomar parte na experiência de imersão em um cenário inventado que o 3D proporciona."

COMPARAÇÃO E CONTRASTE

A apresentação de diferentes valores, comportamentos, estatísticas, fatos históricos e outros elementos reforça aspectos da ideia em discussão. No trecho a seguir, a comparação entre os níveis de dificuldade das manobras financeiras no passado e no presente ajuda a ilustrar a globalização de atividades criminosas.

"Nos clássicos hollywoodianos sobre a máfia, os criminosos instalados nos Estados Unidos têm de criar estratégias mirabolantes para remeter os lucros para seus patronos, na Itália. Em tempos globalizados, a história é outra. O mundo ficou plano também para os mafiosos. Segundo um novo relatório da Europol, o serviço de polícia da Europa, crimes como tráfico de drogas e comércio de produtos falsificados estão se espalhando pelo continente graças a alguns processos da integração mundial: a liberalização do comércio e a expansão das companhias aéreas de baixo custo."

EXEMPLIFICAÇÃO

O autor do texto abaixo cita um ou mais fatos para corroborar a tese apresentada.

"Na Europa, onde a terceira camisa foi inventada pelos ingleses, os times lançam uma versão nova a cada ano, como também fazem com os modelos 1 e 2 - este, aliás, igualmente sujeito a desvios de tonalidade. Inovações são esperadas, apreciadas e, claro, vendidas. O Barcelona, da Espanha, o atual campeão do mundo, quando não joga com o tradicional azul e vermelho, entra em campo, e faz bonito, ou com sua camisa reserva rosa-salmão, ou com a 3, amarelo-ovo, ambas fluorescentes ainda por cima. No Brasil, a moda tem tudo para progredir, até porque por o nome do time em produtos diversificados é uma fonte de renda cada vez mais importante nas periclitantes contabilidades futebolísticas, e as camisas representam cerca de 80% das vendas nesse nicho."


A ESSÊNCIA DA DISSERTAÇÃO

Já falamos aqui de caminhos para aprender a fazer uma redação nota 1000 no Enem e que pode ser resumido com o esquema abaixo. É a estrutura básica da dissertação. A parte central, o desenvolvimento, pode ser considerada a mais importante.

Introdução: inclui a apresentação do tema e a abordagem que será adotada.

Desenvolvimento:
é a apresentação dos argumentos para corroborar a abordagem escolhida. Ou seja, é a parte essencial, pois se encarrega-se de defender o ponto de vista do autor.

Conclusão: reafirmação da opinião, já fundamentada pelos argumentos apresentados no desenvolvimento.


Duas questões sobre textos dissertativos

A operação conjunta das polícias cariocas e das Forças Armadas para desalojar os traficantes de drogas de favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro provocou uma compreensível sensação de esperança e alívio na população carioca e, por extensão, na de todo o país. A reação da opinião pública teve muito a ver, é claro, com a dimensão de espetáculo com que a mídia, especialmente a televisão, coloriu a cobertura desses acontecimentos. Mas isso foi apenas o começo. Qualquer possibilidade de solução duradoura para a falência da autoridade do Estado, que é o que, em última análise, está por detrás do drama carioca, depende de medidas firmes e radicais que só produzirão resultado a médio e longo prazos.
Essas medidas só poderão ser tomadas a partir do instante em que houver por parte de todos - da sociedade e dos vários níveis de governo - uma compreensão ampla e profunda da realidade que domina hoje o Rio de Janeiro. O ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares, que postou em seu blog uma longa e percuciente análise da atual crise carioca, não usa meias palavras para falar sobre a questão: "As polícias deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes nos 'arregos' celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos". De acordo com Soares, a polaridade imaginada entre polícia e tráfico esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade.
Construir efetivamente essa polaridade, isto é, separar bandido e polícia; distinguir crime e polícia, teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Para sanear as polícias do Estado do Rio., é preciso uma reforma radical. Há graves deficiências estruturais. Seus quadros, por exemplo, são pessimamente remunerados, o que constitui estímulo para a prática de atividades paralelas ilícitas.
Se não houver profundas reformas no sistema de segurança pública, mesmo que se acabe com a concentração territorial do tráfico, seus sócios - as bandas podres das polícias - vão prosseguir fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a levar adiante essa atividade tão lucrativa. Essa é, sem dúvida, uma perspectiva sombria. Que se agrava quando se atenta para uma obviedade singela, geralmente negligenciada: drogas só são vendidas porque há quem as compre.

(Editorial do jornal O Estado de S. Paulo, 5/12/2010. Adaptado)

Qual tese é defendida no primeiro parágrafo? Identifique um ou mais recursos argumentativos usados para defendê-la.

Qual é a proposta para solucionar o problema discutido?

Vai mais uma dica aqui de como construir sua conclusão no texto dissertativo do Enem.


Como construir seu texto dissertativo

Este é um exemplo de redação muito bem feito que você pode copiar quando for treinar para construir as suas. Quando estiver estudando as maneiras de fazer uma dissertação, monte toda sua estratégia e crie um belo rascunho seguindo as nossas dicas.

Antes de seguir adiante, veja mais um modelo de redação, uma imagem que você pode guardar para consultar sempre que for necessário.

O modelo acima é sempre pedido pelos meus alunos que desejam aprender como fazer uma redação dissertativa no Enem. Aproveite também.

Todos os gestos da incredulidade

Eu não compro Baton. não votaria no Obama, não gosto de futebol, e acredito que o uso da 3a pessoa na dissertação é só mais uma marca do racionalismo excessivo e da impassibilidade das relações interpessoais atuais. Seria loucura escrever diferente do recomendado, do previsível, do normal. Seria acusado, mas não seria covarde. De fato, o melhor a fazer é tentar entender porque muitos não o fariam, porque a criatividade e a imaginação entraram em falência e levaram junto um pouco da natureza humana.
Questão primordial é entender que na contemporaneidade esse comodismo, que sempre existiu, agravou-se devido a certa falência de utopias e ideologias do último século. Nem as ideias de Marx, ou a tentativa de Lênin trouxeram a igualdade, a ONU não atendeu o desejo de nenhuma Miss, o "american wav oflife" trouxe também a aspirina e o prozac. Essa conjuntura cria um certo pessimismo e corrobora para dificultar o vislumbramento de mudanças na sociedade, tornando o indivíduo acomodado e passivo. É mais fácil manter-se incluído na normalidade, sem questionar "o sistema", a ser taxado de "louco" e decepcionar-se ao tentar.
Espantoso é perceber que essa taxação, e o receio dela, sempre foi a regra. Quando Darwin propôs a evolução, ou Freud, a interpretação dos sonhos, ambos receberam o mesmo título: loucos. Sem dúvida, quando a sociedade se depara com conjecturas e posturas que põem em xeque seus modos de agir e de pensar é compreensível que ocorra certo medo e aversão. O equívoco desse postura está, no entanto, em se ignorar que a inventividade e a crítica estão na base da evolução das sociedades, só a imaginação permite a criação e a inovação.
Por outro lado, o problema maior não é as novidades se tornarem rarefeitas, e sim que ao fazer isso, abdicar do poder de enlouquecer-se contra a cosmovisão vigente, o indivíduo abdica de sua própria racionalidade. O homem é um ser social que transforma a natureza com seu trabalho (mental e braçal), o que exige inferência, senso crítico. Para isso, é necessário que se tente enxergar fatos por outras perspectivas, que exista inferência e crítica ao que apenas os olhos vêem. Sempre foram poucos os que conseguiram fazer isso, Rousseau, Kant, Nietsche, mas foram os desvarios deles que influenciaram diretamente a formação da sociedade ocidental atual.
Torna-se evidente, portanto, que o medo da quebra da anormalidade pode até ser normal naqueles que estão tão afogados em suas culturas que se alienaram em realidades que desejam ser imutáveis. Contudo, é dever dos "loucos" os salvarem, emergindo de novo, sua condição humana, sua capacidade de colocar o mundo a sua volta em crise, insatisfazer-se. A realidade contemporânea, entretanto, conta com problemas que tornam essa ferida mais difícil de cicatrizar, como o individualismo. O irónico é ver aqueles que defendem essa ação coletiva para o retorno da criatividade escreverem na I ° pessoa do singular: são as contradições de uma sociedade que mantém seu lado humano vendado, e só enxerga quando quer. Parafraseando Machado de Assis: "Abane a cabeça, leitor".


(Fonte: UFRJ)


Análise da redação


VARIEDADE ESTILÍSTICA

•  Ousadia na abordagem

Com uma argumentação original e muito bem-sucedida, o vestibulando fez referência a comportamentos considerados "anormais" apenas por se distanciarem do esperado. Desafiando a própria banca, o candidato lançou a ideia de que "seria loucura" escrever em primeira pessoa, já que o usual, no vestibular, é a focalização em terceira pessoa. No entanto, sem receio de ser mal avaliado, o vestibulando iniciou o texto na primeira pessoa do singular e evidenciou posicionamentos tidos como fora do "normal". Como o tema proposto pela UFRJ dava margem a esse tipo de abordagem, o candidato foi muito feliz na sua argumentação. Mas essa estratégia arriscada deve ser bem calibrada e usada apenas quando o candidato tiver muita segurança.

• Darwin

No parágrafo seguinte, o autor introduziu uma nova tese que corrobora a primeira: as pessoas aceitariam os padrões de normalidade porque desafiá-los seria muito mais difícil. No terceiro parágrafo, ao citar Darwin, o candidato contextualizou a proposta em um exemplo prático e teceu considerações sobre a ideia de evolução. A imaginação estaria associada à criação e à inovação.

• Hipertexto

O quarto parágrafo introduziu uma oposição marcada pelo mecanismo coesivo "por outro lado". Esse tipo de recurso garante a organização do texto e registra o bom desempenho linguístico do candidato. Na exposição de um novo argumento, o vestibulando mostrou que, por mais que o homem queira ser inovador, suas atitudes estão condicionadas pelo meio no qual se encontra inserido. Ao citar pensadores como Rousseau, Kant e »

Atividade de redação para estudar para o Enem

Pensar ou agir de modo distinto do da maioria das pessoas pode ser visto como algo simplesmente diferente, ou como inadequação, ou até mesmo como loucura. Considerando a afirmativa acima e os trechos a seguir, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que você apresente suas reflexões a respeito do olhar sobre a normalidade/anormalidade.



1-O Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz, não é feliz

(BAPTISTA, Arnaldo & LEE, Rita. Balada do Louco, www.ritalee.com.br)

2-Normalidade é a habilidade para se adaptar ao mundo exterior com satisfação e para dominar a tarefa de culturação.

(MENINGER, K. In: Ballone GJ - Diagnóstico Psiquiátrico- in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005)

3- LOUCURA
A loucura é diagnosticada pelos sãos, que não se submetem
a diagnóstico.
Há um limite em que a razão deixa de ser razão, e a loucura
ainda é razoável.

LUCIDEZ
Somos lúcidos na medida em que perdemos a riqueza de
imaginação.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa Seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 928)

Neste artigo você viu uma proposta de redação dissertativa. Nela você acabou aplicando várias das ideias que havíamos mostrado como corretas aqui no site. Para saber mais veja os links que colocamos por aqui. Boa sorte.

Instrução:

1. Evite copiar passagens dos fragmentos apresentados.
2.  Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua.
3. Redija um texto de 25 a 30 linhas.
4. Não se esqueça de atribuir um título a seu texto.

Exemplo de redação dissertativa

Neste artigo você verá um modelo de redação escrito por aluno e os comentários analíticos do corretor. Procure atentar para o que é dito e repetir as boas ideias deixando de lado os erros cometidos.



Contra o lugar-comum

Com frequência, expressões como "Rouba, mas faz" ou "Há outros ainda mais corruptos" são usadas para descrever políticos que há muito tempo ocupam cargos no governo e continuam a ser eleitos com grande quantidade de votos. Isso reflete o modo como grande parte da população enxerga a corrupção no Brasil: não como algo anormal, mas como uma característica corriqueira de nossas relações políticas.
Fomos ensinados a aceitar docilmente a corrupção. Durante a Primeira República, coagidos pelos coronéis ou em troca de favores, os eleitores brasileiros abriam mão do direito de escolher nossos representantes. Nossa memória política ainda guarda traumas do voto de cabresto. O embrião da corrupção é concebido durante as campanhas eleitorais, quando o voto é muitas vezes, trocado por um pacote de alimento ou por material de construção.
Não é, pois, de se estranhar que políticos que compram o voto de seus eleitores ajam a favor dos próprios interesses. Protegidos em nossos lares, nos indignamos com as notícias que trazem à tona mensalões, dossiês dos aloprados e outros escândalos da mesma espécie. Mas permanecemos em nossa zona de conforto, conformados a pensar em política somente em época de campanha eleitoral. É mais cómodo aceitar passivamente o lugar-comum "eles são todos corruptos" do que assumir uma postura mais ativa, que envolve atitudes como buscar conhecer o histórico político do candidato em quem se pretende votar.
Para mudar essa realidade, a indignação deve quebrar as paredes de nossas casas e bater nas portas do Congresso Nacional, cobrando por leis que impeçam os políticos comprovadamente desonestos de se reelegerem e exigindo o cumprimento de promessas feitas durante as eleições. E, principalmente, devemos exigir uma postura decisiva dos governantes quanto à melhora da educação e que todos tenham acesso a ela, porque discernimento e consciência política são as armas mais duradouras e eficientes contra a corrupção.


(Redação de voluntário)

Nesta análise levamos em conta o gênero pedido e também as instruções. neste caso, a Fuvest é bastante criteriosa e pode-se ver nos comentários.

Análise da redação


FIGURAS DE LINGUAGEM: o estudante usou-as para enriquecer seu texto e reforçar suas ideias. Algumas delas:

"Nossa memória política ainda guarda traumas do voto de cabresto" -em "voto de cabresto" temos uma metáfora forjada dentro do universo da política eleitoral, principalmente em regiões onde predomina o "coronelismo". Cabresto, em seu sentido literal, é a corda com que, em laço, se prende um animal para conduzi-lo a qualquer parte. Assim, o "voto de cabresto" é um voto de quem está controlado (como um animal em seu curral) para quem domina ou controla. No uso da palavra "trauma", além de uma redundância (o que não é uma figura, mas um vício de linguagem), temos um exemplo de difemismo (contrário de eufemismo), que é a figura que consiste em reforçar situações negativas. Trauma pode ser uma mancha ou algo ruim que guardamos em nosso subconsciente e que compromete novas experiências. No texto, foi usado para reforçar posturas inadequadas de certos parlamentares ou grupos políticos.

"o embrião da corrupção é concebido" - metáfora, na qual "embrião" define o início de uma nova trajetória de corrupção.

"notícias que trazem à tona mensalões, dossiês dos aloprados e outros escândalos da mesma espécie"

"trazer à tona" é uma metáfora comumente usada, que compara implicitamente o ato de trazer coisas do fundo (do mar, do oceano, do rio, do centro da terra etc.) para a superfície ao ato de divulgar ou de revelar o que, por alguma razão, estava escondido.

"É mais fácil aceitar passivamente o senso comum de que "todo político é corrupto" do que assumir uma postura mais ativa" - antítese, na qual há ideia de oposição entre "passivamente" e "postura mais ativa".

"a indignação deve quebrar as paredes de nossas casas e bater nas portas do Congresso" - prosopopeia, figura de linguagem que confere características animadas a seres inanimados.

"Mas permanecemos em nossa zona de conforto, conformados a pensar" - a aproximação das palavras "conforto" e "conformados", de grafia e som próximos, mas de semânticas bastante diferentes, é um exemplo de "paronomásia"

"... discernimento e consciência política são as armas mais duradouras e eficientes contra a corrupção." - o termo "armas" é usado de modo claramente metafórico.

REPERTÓRIO: como a proposta requisitava, o candidato usou, em sua argumentação, conhecimentos acumulados ao longo de sua formação. Citou, por exemplo, uma situação histórica (o coronelismo) para reforçar sua ideia de que a corrupção está enraizada no modo como enxergamos a política.

PROPOSTADE AÇÃO TRANSFORMADORA: conforme as instruções, o candidato apresentou uma sugestão de ação social contra o problema da corrupção: uma atitude não passiva do cidadão, que deve concretizar sua indignação cobrando dos governantes a criação de leis que vetem a permanência de corruptos no poder e melhorem a educação.

APROVEITAMENTO DOS TEXTOS MOTIVADORES: o candidato demonstra afinidade com os textos da antologia, em especial com o texto do psicanalista Contardo Calligarís, chegando a emprestar expressões como "lugar-comum" e "eles são todos corruptos" à sua redação.

Pré-requisitos para fazer uma boa redação no Enem

Como dissemos, é preciso ter consciência de que toda argumentação é uma tentativa de influenciar o outro. E é, também, uma espécie de diálogo. Isso pressupõe liberdade para pensar, para expressar o pensamento, a subjetividade. Ambos poderão ser ou não acatados pela subjetividade do outro.
Podemos dizer, também, que aquele que é alvo da argumentação deverá sempre ter a liberdade de aceitar ou de recusar a justificativa para fundamentar a tese (hipótese mais viável) que lhe é apresentada.

Veja abaixo quais as competências avaliadas no Enem, principalmente na prova de redação dissertativa:



Certamente, fatores externos como a maior ou menor fluência verbal ou eloquência argumentativa, a função hierárquica superior, o grau de informatividade e a lógica para, de modo coerente, articular um raciocínio lógico diante do outro, podem "jogar a favor" de um dos lados.
Entender a argumentação como um diálogo em que não apenas devamos sustentar um ponto de vista (tese), mas também considerar outras posições contrárias, é o caminho para dominar com habilidade as capacidades de:

Evocação: chamar ao desenvolvimento da argumentação o que se pretende sustentar;
Citação: referir-se a exemplos, seja declaração de pessoas, alusão a fatos, situações, características de fenómenos, dados estatísticos que colaborem para comprovar e convencer;

Refutação: por meio de raciocínio lógico, analogia, relação causa-efeito, ou outro recurso, é preciso contra--argumentar, enfraquecendo ou invalidando o argumento do outro;

Concessão: até mesmo admitir que, em algum aspecto, o argumento do outro é válido, plausível, mas não totalmente aceitável, pertinente, coerente.

A argumentação é uma constante atividade de justificação e explicação orientada não exclusivamente para a demonstração se uma tese (hipótese escolhida como mais razoável, mais plausível) é verdadeira ou falsa, mas especialmente para a eficácia no ato de influenciar o outro, e convencê-lo. Isso se torna possível também quando, por parte do argumentador, há uma adequada consciência quanto ao status e perfil do interlocutor.

Posso, por exemplo, mudar a direção argumentativa quanto a passar um recesso subindo uma montanha e fazendo bivaque diante de dois amigos:

• ao primeiro que me ouve, um amigo sedentário e solitário, amante do sofá e de filmes, posso elencar razões de ordem física, fazendo um apelo a se exercitar para manter a saúde; ou de ordem emocional, revelando que convidarei um grupo de garotas a participarem da aventura.

• ao segundo, um amigo já praticante de bivaque, posso justificar que o local da aventura ainda lhe é desconhecido. Assim, enumero uma série de aspectos superiores e inusitados do novo lugar e do percurso para convencê-lo a ir comigo, ainda que esteja com tarefas escolares atrasadas.

Bivaque: do francês bivouac. 1. Termo que designava o estacionamento provisório de tropas militares e que passou a designar toda área de estacionamento em que só se dispõe de abrigos naturais, especialmente árvores, cavernas ou pedras planas. Técnica de se dormir na natureza sem a utilização de barracas, com o maior conforto possível e a menor agressão ao meio ambiente; é a arte de se abrigar sob as estrelas e de enfrentar as piores situações possíveis com muita criatividade; 2. Por extensão, designa um acampamento rudimentar para passara noite na natureza, tanto em uma barraca de campismo ou, ao ar livre, num saco de dormir. Se nos países desenvolvidos é utilizado principalmente nas férias, em muitos povos nómades é o modo de moradia habitual.

Adaptado de: Dicionário eletrônico Houaiss da língua